JORNAL DESTAK- 2013

MANGAS, DOCES MANGAS, MANGAS QUE NÃO VOLTAM MAIS
Outro dia, eu estava no primeiro andar do Colégio Antonio Lemos, onde trabalho; olhei pela janela da sala de aula e vi várias mangas pelo o chão umas maduras, outras em decomposição, mangas...mangas...muitas mangas.
No momento em que as vi, tive um insight, tomou-me avassaladoramente lembranças de meu passado, lembranças dos meus 12, 13, 14 anos; tempo em que eu estudava no CEAL, aquelas mangas faziam parte de minha história de estudante.
Àquele tempo, mais cedo que todos os outros moleques, queria eu chegar à escola, queria chegar cedo o bastante para não rivalizar nenhuma manga com qualquer deles, nem sempre eu conseguia, às vezes quando eu chagava, já estava por baixo da mangueira o Korebe, o Pelado, o Kioshi, o Cacá, o Lioca... Para dizer a verdade, quando um dos meninos já estava lá, ficava mais emocionante procurar manga no mato sob a árvore, quando alguém encontrava alguma, era como se fora um gol na final de campeonato, achar uma manga tendo chegado depois dos outros, era motivo para muita gozação e alegria.
Em minha vida de estudante só fui suspenso uma única vez, por causa da manga, chupávamos as mangas antes de iniciar a aula, certa vez sujei meu uniforme e fiquei exalando manga na sala, a professora não gostou...secretaria...suspensão. Fiquei triste por ter sido suspenso, entrementes isso não me fez deixar de ir procurar manga cedo em baixo das mangueiras da escola, mesmo com a proibição de mamãe, só passei a ter mais cuidado com a camisa do uniforme.
Fiquei alguns minutos olhando para aquelas mangas ali no chão, tantas mangas apodrecendo, tantos alunos na escola e nenhum deles foi salvá-las dos microorganismos decompositores que se preparavam para cumprir sua função de eliminar as frutas não aproveitadas...rejeitadas.
Pensei: Quisera eu chegar à escola em meu tempo e vê-las tantas ali a minha espera; naquele tempo muitas vezes eu ficava sem nada.
Hoje os alunos quando chegam à escola não procuram as mangueiras, as jaqueiras, os jambeiros, os pés de carambola, antes procuram a lanchonete, e cedo ainda, antes do início das aulas, pedem uma coca-cola e tomam-na acompanhada por um salgado.
Após essa reflexão, sopesei o quanto a Santa Izabel de hoje não tem mais os encantos da Santa Izabel da minha infância, das ruas sem tantos carros, sem tantos buracos, sem tanto lixo, encantos da cidade que aprendi a amar e na qual sempre quis viver. Naquele tempo ninguém morria atropelado nas ruas de nossa cidade, ninguém era assassinado em praça pública, muito menos era vítima de bala perdida, não se ouvia falar em seqüestro, invasão de domicílio...
Naquele tempo os meninos chupavam manga; hoje, tomam uma coca-cola. Nossa cidade mudou, e com ela mudamos todos nós.
Felicidades a todos e um grande abraço!